quarta-feira, novembro 24, 2010

ANO IV - NUMERO 198




26/11/2010 - V ANIVERSÁRIO DA BATALHA
Para os gremistas, a Páscoa ocorre duas vezes ao ano




Quanto tempo eu fico sem respirar? Nunca medi, mas sei que agüento exatos 1 minuto e 11 segundos. Não é muito, pareceu bem mais que isso, mas eu sei pois me lembro muito bem do dia em que estabeleci o tempo. Foi o dia em que eu não comemorei a defesa do Galatto.

Não sei de gremista que tenha se esquecido de como viveu aquele 26 de novembro de 2005. Nesse caso, não sou exceção. Estava num chá-de-panela de um colega de faculdade que iria casar. Ele, gremistaço, colocou uma TV no salão. Imagino a conversa que teve com a patroa, quando percebeu que o jogo do Acesso e a comemoração iam ser no mesmo dia.

Quando começou o jogo, ninguém mais quis saber de puxar saco das patroas e comer canapezinhos. Nem o noivo. Na mesa mais distante da televisão, se instalaram os secadores. Do jogo em si, não há muito mais o que relatar. Melhor pular para o que importa: da morte à ressurreição em 71 segundos.

Dá-se o segundo pênalti, quando o Grêmio já tinha dez jogadores. Se instaura aquela confusão absurda, e eu não me lembro quando parei de prestar atenção. Só pensava que no ano que vem, pelo menos, subiam 4. Mas o clube estava quebrado. Como começariaa próxima temporada? Imerso nesses pensamentos, sem tirar os olhos da TV, perdi uma das expulsões. Na minha cabeça, tínhamos oito em campo; o que não faz nenhuma diferença. Eu achava mesmo que o jogo não se reiniciaria.

Mas as coisas se acalmam (ao normal não voltaram!), e tem jogo. Nada de disputas no tapetão, onde certamente perderíamos. Mas, com pênalti contra, oito em campo (só fui saber que eram sete depois do jogo) e faltando dez minutos, seria diferente? Não sei. Provavelmente, não.

O jogador do Náutico bate o pênalti e erra. Nesse instante, ao meu redor, flutuam cervejas, salgadinhos, CADEIRAS. Há chiados, sussurros e escorrer de lágrimas...

São poucos os calados imóveis: os secadores, eu e o tempo.

- Paulo, Paulo, fala alguma coisa. 'Tá tudo bem? Tu 'tás branco. Por favor, fala qualquer coisa!

Era minha namorada, quem tinha comemorado a defesa e só agora percebia minha total estupefação. Só agora? Não tinham nem cobrado o escanteio, mas parecia ter passado uma hora. Ou nada. Não sei. Diz ela que eu mexi levemente a cabeça: "não". Eu não lembro.

Vem o escanteio. A defesa tira. A bola sobra para o Ânderson que dispara em direção ao campo adversário. Quer matar tempo. Quanto tempo? Qualquer tempo. Mas que tempo, se ele não anda? Ânderson não se importa. Há alguma chance, mesmo que quase nada, e ele vai, agarrado a ela e à bola. Mas não vai ao gol, o destino é a bandeira de escanteio dos Aflitos. Isso, aliás, não é nome, é destino. Aflitos éramos todos: gremistas, timbus, secadores de ambos os times, até aqueles que assistiam o jogo de curiosos. Só um louco não estaria totalmente insano àquela hora.

O Ânderson com a bola num campo que parecia ter 800m de comprimento. E eu, e o tempo, parados; olhando tudo aquilo.

Falta!

Ânderson se rola no chão como se lhe tivessem arrancado uma perna. O juiz finalmente chega e expulsa o jogador do Náutico. Mas a diferença de jogadores diminuia. Poderíamos matar um tempo precioso ali, se o tempo ali estivesse. De que adianta fingir dor, então?

Eu não escuto nada. Não faço nada. Não penso nada. E a TV não mostra nada.

De repente, Ânderson aparece dentro da área, dribla o goleiro e chuta para o gol.

- GOL!

Era o tempo.

Não poderia ser eu. Eu já estava com os pulmões cheios de ar, chutando as pilatras de sustentação do teto, arrancando nacos da parede. Acabou! Tinha acabado! Subimos. Voltamos. Ressuscitamos!

Não importaria nem que houvesse 40 jogadores do Náutico contra cinco nossos. Não perderíamos. O tempo estava agora ao nosso lado, correndo para recupear o atraso.

Se me permitem todos os clichês: inacreditável; inesquecível; imortal.

Parabéns a todos os gremistas, em especial aos sete heróis do título: Marcelo Oliveira, Pereira, Sandro Goiano, Lucas, Marcelo Costa, Ânderson e Galatto.

Galatto, aliás, que não comemorou a sua defesa.

Estou em boa companhia.

Saudações imortais,
Paulo Roberto Tellechea Sanchotene - sancho.brasil@gmail.com


P.S. (sobre o atual momento): Antes de nos preocuparmos com o Goiás, devemos vencer o Guarani e o Botafogo. Não adianta o Independiente ser campeão, e não terminarmos em quarto.

P.S. (sobre o texto): Se houver algum erro de fato, peço que relevem. Escrevi de memória. Eu não vejo o jogo de novo -mesmo tendo os dois filmes- porque acho que o Náutico pode acertar um dos pênaltis.






MEDIDA DE GRANDEZA

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Alguns acreditam que a grandeza de um Clube se mede por títulos. Outros pelo patrimônio. Mas a verdadeira grandeza de um Clube está na sua história. Para se saber a grandeza de um Clube é preciso analisar toda a história, desde a concepção, e verificar as posturas e atitudes de seus integrantes e seguidores em diversas situações extremas. Títulos e patrimônio a maioria dos grandes Clubes possuem. Mas nem todos são dignos de se considerar grandes Clubes. O INTERNACIONAL, domingo no Rio de Janeiro, acrescentou mais um episódio em sua história de grandeza. Mesmo contra a vontade da torcida, o INTERNACIONAL foi grande e venceu o Botafogo, ignorando as consequências que tal vitória traria a seu arque-rival. Foi, sem dúvida, uma postura instucional ímpar. Ainda mais num certame que possui fôrmula tão propícia a facilitações na reta final. O São Paulo entregou para o Fluminense, como o Palmeiras também o fará. O time do vizinho não preciso nem falar (o maracanito contra o Flamengo, ano passado, ainda está fresco na memória). O INTERNACIONAL não, o INTERNACIONAL é grande!


PRATA DA CASA I
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"Nos primeiros anos do convívio com Dino, Falcão escorregava com tanta facilidade da marcação adversária a ponto de os colegas o tratarem por um apelido: Sabonete. A dificuldade para lança-lo entre os titulares estava na necessidade de barrar um ídolo colorado, que já tinha pouco a oferecer à equipe por estar perto do fim de carreira. Dino pediu à direção do clube que vendesse o meia Carbone. Se Carbone ficasse, haveria pressão para que jogasse. Era preciso vendê-lo, para deixar o menino entrar no time com tranquilidade" (PVC - "Bola Fora").
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PRATA DA CASA II
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Falcão entrou no time, mesmo sem a venda imediata de Carbone. Ganhou a posição, em 1973, pelo futebol e pela personalidade. Tanto é assim que no primeiro treino coletivo que realizou entre os titulares peitou e discutiu com o Capitão e ídolo do time, ninguém menos do que Don Elias Figueroa.
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PRATA DA CASA III
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Mas nem sempre é assim. Sandro, por exemplo, amargou durante uma temporada inteira a reserva, até que o volante brucutu Edinho foi vendido ao inexpressivo Lecce da Itália. No elenco atual temos o caso do jovem centroavante L. Damião que assisti do banco de reservas as fracas atuações do contestado Alecsandro. A preterição de jovens formados nas divisões de base é um mal antigo e que precisa ser, com urgência, revisto. E o INTERNACIONAL deve ser rápido nessa tarefa, porque os jovens Muriel, Oscar, Massari, Juliano, entre outros, começam a pedir passagem no time titular.
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CAMPEÃO DE TUDO
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Patética, para não dizer ridícula, a coluna do vizinho da última semana ao se reportar, de forma invejosa, a nosso jargão CAMPEÃO DE TUDO. Aliás, nada que se estranhe vindo de um pessoal que costuma se proclamar Campeão do Mundo tendo ganho um jogo amistoso no Japão que todos os demais campeões reconhecem como Copa Toyota Intercontinental. O desespero é tamanho que a vizinhança chega a colocar Copa Sul como título de relevo. Mais, coloca Série B como conquista. Tchê, vizinho, essa eu não quero nunca no meu armário. Depois que tu conquistar uma Taça Sudamericana, que tu levantar a Tríplice Coroa (vencendo tudo na cola) e que tu participar de um Mundial FIFA (eu disse participar, não precisa nem conquistar). Depois disso tudo tu vem falar comigo rapaz!
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PATO VESTIDO DE CANÁRIO
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Até quando teremos de aguentar o Sr. M. Menezes a frente da seleção brasileira. Mano conseguiu a façanha de perder uma invencibilidade construída a ferro e fogo por Dunga contra os arrentinos. Na Era Dunga foram 6 jogos sem derrota para os hermanos. E Mano já perdeu no primeiro confronto e com direito a gol de Messi - deve ter sido o primeiro do catalãozinho com a camisa argentina. E olha aqui ô, Douglas na seleção brasileira nem a título de piada. É uma afronta. E o que dizer do goleirinho da azenha levando bola de argentino no cantinho. Por favor, vamos se respeitar. Tem muito pato vestido de canário.
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RÁPIDAS
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BLOgNAL RUMO AO NÚMERO 200...
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Que atuação de Muriel no Rio de Janeiro.
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Caso o tal de vestibular para goleiro do C. Roth tenha algum valor, o guri deve seguir vestindo a camisa 1
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Outro que teve atuação destacada na Cidade Maravilhosa foi Oscar. Com atuação de gala, o meio pode ter garantido sua vaga na lista dos 23 que vão ao Mundial FIFA.
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A propósito de Sudamericana, Palmeiras do Sr. F. Scolari joga todas as fichas na competição.
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Pois é, e tem gente que fez de tudo para desvalorizar e menosprezar a conquista da Taça Sudamericana
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O que estarão dizendo agora que o guru Scolari a está valorizando tanto ?
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Começa esta semana a definição da Copa FGF (E. Costamilan). INTER B x Cerâmica de Gravataí.
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Nossa gurizada sub23 vai atrás de mais um caneco
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Juvenis também iniciam decisão do Gauchão da categoria. Adversario será o Juventude.
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BI DA AMÉRICA - livro com fotos inéditas da conquista será lançado na quinta-feira (clique aqui para maiores detalhes).
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INTERNACIONAL 2X1 Botafogo foi a primeira derrota dos cariocas dentro do Engenhão neste campeonato.
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Olha aqui ô vizinho, só tenho uma coisa p'ra te dizer: Colorado não entrega jogo para carioca...
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Afinal de contas, como diz o nosso hino, "povo que não tem virtude acaba por ser escravo".
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Já estamos a menos de um mês do Mundial FIFA.
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ABU DÁ BI...
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Saudações rubras, do DONO DA ALDEIA (*39), CAMPEÃO DE TUDO e SEMPRE NA PRIMEIRA DIVISÃO.
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Luiz Portinho


6 comentários:

Luiz Portinho disse...

E VIVA A BATALHA DOS AFLITOS - um estandarte perfeito da diferença que existe entre ser gaymista e ser COLORADO!

milton disse...

http://wp.clicrbs.com.br/almanaqueesportivo/2010/11/26/5-anos-da-batalha-dos-aflitos-por-um-colorado-fanatico/?topo=77,1

Ao contrario do Porto, esse colorado demonstra grandeza.

Abs,

Paulo Roberto disse...

Porto,

Tens razão, Colorado não entrega jogo para carioca. Já para paulistas, não há restrição, como em "São Paulo 3-0 Internacional" em 2008.

E, buenas, sobre a Batalha, se é isso que nos separa, estou seguro de estar do lado certo.

Abraço.

jo disse...

sancho assumiste que o teu negócio é lado b!!És um alternativo em futebol , adoras perder...

pro disse...

Thanks for your share! I think this information is helpful for everyone. I'm doing practice GRE here: masteryourgre.com . I hope it's useful for GRE test takers.

Luiz Portinho disse...

o sancho e a turma da azenha adora uma Serie B... pena que fizeram virada de mesa em 1992, senão estariam por lá até hoje...