Mostrando postagens com marcador damiao. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador damiao. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, setembro 21, 2011

ANO V - NÚMERO 240




PRETENSÕES




O Grêmio teve uma recaída e voltou a preocupar os seus torcedores com a derrota sofrida diante do Vasco da Gama, no RJ, no último final de semana. O resultado largo de 0x4 foi como um balde de água fria nas novas pretensões do time após a sequência de vitórias dos últimos 3 jogos.

Se é verdade que o time esteve apático em campo, não se pode deixar lembrar que do outro lado havia um adversário muito qualificado, que vem de um título nacional na temporada e que, com a vitória sob o Tricolor e a combinação de resultados da rodada, assumiu a liderança do certame.

Contudo, o infortúnio contra o Vasco não chegou a afetar severamente a recuperação da equipe gremista no Campeonato Brasileiro. A distância para o G5 permaneceu a mesma (7 pontos para o Fluminense), bem como a distância para o Z4 (6 pontos para o Atlético/MG). Contabilize-se ainda que o Tricolor tem 1 jogo a menos que os demais adversários na competição. Se houver uma vitória neste confronto, que será no dia 5 de outubro contra o Santos, em Porto Alegre, estaremos bem mais perto do G5 do que do Z4.




Grêmio manda no Olímpico




Desde que Celso Juarez reassumiu o comando técnico do Grêmio, o Tricolor não conheceu outro resultado em casa senão a vitória. São 4 partidas consecutivas de sucessos dentro de casa, inclusive contra o tradicional rival e freguês da beira do rio. O Grêmio voltou a mandar no Olímpico e a ter o respeito dos seus adversários para os confrontos em Porto Alegre.

Portanto, apesar da dificuldade dos próximos confrontos em casa, contra o Botafogo, o Cruzeiro e o Santos, a expectativa é que o time retome a mecânica de jogo e o caminho das vitórias, distanciando-se cada vez mais da parte de baixo da tabela e aproximando-se dos líderes.




Time para os próximos jogos




Com as suspensões de Saimon e Julio Cesar pelo 3º cartão amarelo, Celso será obrigado a mexer na equipe. Lamentavelmente, noticia-se que o interminável Rafael Marques ressurge como principal opção para a zaga gremista, ao passo que Bruno Collaço deve assumir a lateral-esquerda com naturalidade. No mais, deve ser mantido o triângulo ofensivo da meia cancha, com Douglas, Marquinhos e Escudero.

Apesar do insucesso no último jogo e da falta de encaixe demonstrada pela equipe nesta partida, espera-se a manutenção do esquema de jogo e da postura do time para os próximos compromissos. Se uma sequência de vitórias não pode iludir e dar a impressão de que o time resolveu todos os seus problemas, um mau resultado isolado também não deve ser motivo para "terra arrasada".

Tudo o que a massa tricolor quer é ver em seu treinador a convicção de manter uma ideia de formação para a equipe que almeje as vitórias, sem que o resultado do final de semana traga à tona velhos temores que justifiquem a formação de um time covarde e de postura defensiva, que prime unicamente por não perder. Ousadia e vontade de vencer são os atributos que farão com que a torcida permaneça ao lado do técnico e do time nos bons e maus momentos.




Seleção




De um time que tinha o lateral-esquerdo, um meia e um atacante dos moranguinhos como titulares, não podia-se esperar outra coisa senão um oxo modorrento da seleção brasileira contra os hermanos argentinos. O confronto foi tão enfadonho que um lance despretensioso protagonizado pelo Leandro impedidão, da "lambreta" que não deu nada, virou a principal manchete do jogo.




Numa coisa dou razão ao vizinho!




Mas olha aqui, ô vizinho, numa coisa tu tens total razão: eu idolatro, sim, o Celso Juarez, por ter nos presenteado com aquele estrondoso fiasco do teu timinho frente ao Mambembe no final do ano passado, e por ter mantido o frangueiro Renan e o fraquíssimo Nei no time por tanto tempo. Ah, vizinho, a história podia ter sido outra se o "carregador de luvas de luxo" Victor e o Mário Fernandes fossem titulares daquele timinho fiasquento, hein?!


Fernando Zuchetto Maisonnave
Sócio Patrimonial desde 2002
Gremista desde 1981


RESPOSTAS DO SETEMBRO


Desde o princípio deste mês sustento que acertamos nosso time (vide coluna n. 238). Na semana que deixamos escapar 4 pontos contra Santos e Ceará, afirmei que Dorival encontrara o sistema e mecânica de jogo ideiais. Daí por diante tivemos mais duas ótimas atuações contra Palmeiras e Coritiba. Nas duas partidas, nossa meta somente foi ameaçada em lances de bola parada dos adversários. É a demonstração clara e inequívoca de que o sistema defensivo se solidifica e torna-se seguro a cada partida. Aliás, nem foram necessários os 5 jogos de sequência para que Moledo e Juan assumissem a titularidade incontestável da zaga. Elton e Guinazu possuem características que se complementam e, com boas atuações, conferem boa proteção à defesa. E do meio para frente Dorival tem inúmeras opções para compor o quarteto de ataque. O setembro confirmou o acerto do time.

E O OUTUBRO ?


Outubro será um mês de definições no campeonato. O INTERNACIONAL chega em ótimas condições. No páreo e em crescimento, como deve chegar um pretendente ao título. Corinthians e Flamengo, por exemplo, há algumas semanas demonstram não ter fôlego. O Fluminense, além da irregularidade, não parece ter grupo. Botafogo e Vasco também não parecem ter grupos adequados para suportar as pressões da reta final do certame. Sobra o São Paulo. Esse é nosso grande adversário (apesar do A. Batista).


ANDAR DA CARRUAGEM


Na última coluna pedi o abandono do sistema com 3 meias e 1 atacante isolado. Delatorre voltou contra o Coritiba e teve boa atuação. Deve continuar na equipe contra o Figueirense, mesmo com o retorno de D´Alessandro. E quem deve sair então ? Andrezinho. Todos sabem que sou fã de carteirinha do meia, mas ele joga na mesma posição de D´Alessandro; e, todos sabem, rende muito mais quando vem do banco. Além disso, o quarteto com Oscar, D´Alessandro, um atacante e Damião foi o responsável pelas grandes atuações da equipe nessa temporada. Esse atacante pode ser o Delatorre, Ilsinho (que essa semana está fora por lesão) ou Zé Roberto, que está regressando de lesão.

VOLANTES I


Elton, Guinazu, Bolatti, Tinga e Glaydson. Trata-se da posição em que melhor estamos servidos. Desde o começo da temporada, clamei pela escalação de apenas 2 desses volantes, ficando os demais como opções. Tivemos, em várias oportunidades, o equivocado sistema com 3 volantes, que chegou, inclusive, a prejudicar os desempenhos individuais, especialmente de Tinga e Bolatti. Com Dorival foi abolido o sistema de três volantes; e a dupla ali escalada sempre teve ótimos desempenhos.


VOLANTES II


Mesmo assim, há uma campanha na mídia pampeana contra Guinazu. Uma absurda campanha eu diria. Depois de Indio e Bolivar, é claro que os "doutos" da aldeia teriam de achar outra vítima. E a bola da vez é Guinazu. O "Cholo", todavia, segue com seu desempenho de sempre. Nunca exuberante, mas sempre de grande valia para a equipe. Nunca vi Guinazu ser culpado por um golo adversário; e até o dia em que isso acontecer, não se pode criticá-lo.


ESTÁDIO x MAQUETE


O vizinho teve a cara de pau de lançar números e tentar comparar o seu PROJETO ao nosso ESTÁDIO. Isso mesmo. O Beira Rio, vizinho, é um estádio. No Humaitá há, apenas, um projeto. Há cerca de 5 anos a vizinhança tenta iludir o leitor deste espaço com maquetes e power-points da vida. E lá no Humaitá, até agora, as maiores notícias dão conta de maus tratos e greves aos funcionários. Isso para não falar do adendo de milhões de reais para uma obra que sequer levantou paredes (e, lembre-se, não conta com memória descritiva). Olha aqui ô, nem no maternal da creche aqui do lado de casa eu encontraria tanta gente que acredita em papai noel. Acorda vizinho!


O VIZINHO e o PADEIRO


A idolatria da vizinhança pelo padeiro de bento é comovente. Aliás, não só da vizinhança. Na imprensa pampeana chegou-se a confeccionar a sigla CAR (Comunidade dos Amigos de Renato) para designar a(o)s "fazocas" do padeiro. Pois eu queria que o vizinho tivesse a coragem de se manifestar sobre algumas atitudes do Sr. R. Portaluppi, enquanto titular da casamata azenhana. Aí vão: 1) Borges, 2) M. Fernandes, 3) D. Clementino, 4) Vilson e 5) conquista de títulos. O padeiro não conquistou título algum, trouxe Clementino e Vilson como reforços, deixou o M. Fernandes fora dos planos e se indispôs com o Borges a ponto de o avante sair da azenha. Tchê, a paixão cega!

RÁPIDAS

Aliás, esse tal de M. Fernandes reflete muito bem a alma castilhana da vizinhança. Afinal, se o Mario esse jogasse metade do que a pijamada acha que ele joga, seria um craque.

O amigo Josué escreve para dizer que Siloé é o parceiro ideal para o L. Damião.


A propósito, a gurizada do INTER SUB23 tocou 2x0 no clássico gNAL da Taça FGF, com Siloé e Gilberto formando a dupla de ataque. A partida foi disputada lá na azenha e também participaram, com destaque, os jovens Romário e João Paulo.


Fora dos gramados, INTERNACIONAL assinou parceria com Atlético de Madrid, America do México e Chicago Fire dos Estados Unidos. Aliança busca internacionalização da marca Colorada. Clique e confira detalhes.


E, tchê, em pleno final de semana farrapo, a vizinhança foi ao Rio de Janeiro e apanhou de quatro para os cariocas.


Fiasqueira!


Saudações rubras, do CAMPEÃO DE TUDO, DONO DA ALDEIA (40*) e SEMPRE NA PRIMEIRA DIVISÃO.


Luiz Portinho - mais de 700 jogos no Gigante da Beira Rio
.

ps. coluna dedicada a A. M. Velho, o Afonsão, integrante dos Mandarins, que faleceu esta semana.


terça-feira, agosto 23, 2011

ANO V - NUMERO 236

Edição Especial - Gre-Nal 388
AUMENTO DA CAPACIDADE DA ARENA: DILEMA DO MODELO PARA UM GRÊMIO MODERNO

Na coluna do Tricolor desta semana darei conhecimento aos amigos tricolores do texto perspicaz e muito apropriado redigido pelo amigo Tiago Mallmann Sulzbach a respeito das principais preocupações que permearão a sobrevivência da Instituição Grêmio nos próximos anos.

"Após nova derrota acachapante para o Atlético-GO e mesmo em semana de GRE-nal, peço a atenção dos milhões de gremistas para um problema que, potencialmente, poderá nos gerar muita dor de cabeça nos próximos 20 anos.

Como já se ressaltou na nota dos Sócios Livre
s (http://www.socioslivresgremiodetodos.com.br/), o produto futebol no Brasil nesses anos vindouros irá crescer exponencialmente. Isto porque, dado o desenvolvimento ímpar da economia nacional, são milhões de novas pessoas aptas a consumir futebol no Brasil, o que atrai os anunciantes e “inflaciona” positivamente o mercado, notadamente os direitos de transmissão. O movimento é semelhante ao que ocorreu na Europa no início dos anos 1990 e, por isso mesmo, o exemplo do Velho Mundo é alarmante.

Diz-se, com muito boa vontade, que teremos quatro ou cinco clubes no Brasil capazes de competir pelos títulos. Considerando que Flamengo e Corinthians são dois deles, bem se vê o tamanho do desafio do Grêmio. Sobram-nos duas ou três “vagas” para disputarmos com São Paulo, Palmeiras, Santos, Fluminense, Vasco, Botafogo, Cruzeiro, Atlético-MG, eles,
e, eventualmente, algum clube do Paraná ou do Nordeste do Brasil (historicamente pobre, mas que muito cresce e, provavelmente, poderá ter um clube entre os “grandes”). Por isso, quem não se organizar imediatamente, perderá o trem da história e, assim, não mais lutará por títulos.

E o que o Grêmio tem feito a respeito? Muito pouco. Aliás, retirando a imprescindível idéia da Arena, quase nada.

As três maiores fontes de receita em um clube de futebol moderno são: direitos de transmissão, estádio e marketing. Acresça-se que em um clube formador, como o Grêmio, as categorias de base servem também a este financiamento. E o que um torcedor de fora vê sobre estes pilares no Grêmio?

Direitos de transmissão
O Presidente Odone, com a chancela oficial do Conselho Deliberativo, entendeu por bem rachar o Clube dos 13 – comandado pelo Presidente Koff – negociando diretamente com a Rede Globo. Assim, submeteu o Grêmio a receber R$ 55 milhões por ano, pouco mais da metade do que Corinthians e Flamengo (R$ 100 milhões por ano). Imaginem só o que não precisará ser o Grêmio de organizado para retirar a diferenças de R$ 180 milhões para dois rivais diretos na conquista de títulos nesses quatro anos de contrato com a Globo.

Acredita-se que o Grêmio errou, e muito, em adotar o sistema espanhol em detrimento do norte-americano ou inglês e alemão. No sistema espanhol, Barcelona ou Real Madrid ganham todos os campeonatos, porque mais da metade de todo o valor pago é entre eles dividido. Em praticamente todos os demais campeonatos importantes – e notadamente na NFL, o mais rico de todos – vigora o princípio do equilíbrio competitivo, pelo qual um campeonato se torna mais atrativo quando mais equilibrado for (e, por esta razão o dinheiro envolvido é distribuído de forma mais igualitária). Os dois modelos são conhecidos do Grêmio: o primeiro, o Espanhol, recentemente adotado por imposição da Globo; o segundo, era aquele defendido pelo Clube dos 13. Acaso estivéssemos na posição de Corinthians ou Flamengo ou fôssemos controlados pela Globo, até seria interessante optar pelo primeiro modelo. Para a
globo, após quatro anos e implodido o Clube dos 13, poderá pagar menos pelo campeonato, exatamente como ocorre na Espanha, justamente porque apenas dois é que seriam remunerados proporcionalmente ao que vale o campeonato: aos demais, as migalhas). Para Flamengo e Corinthians, receber o dobro de rivais históricos, obviamente é interessante. Contudo, sendo justamente a parte prejudicada com o crescimento dos rivais, inacreditável é como o Grêmio pode tomar tal atitude.

Em qual momento o fato de receber a metade de Flamengo e Corinthians isso foi considerado um bom negócio é o que deveríamos refletir.

Marketing

Ainda que não seja nem perto de um expert no assunto, o consenso entre os torcedores tricolores é o de que o Grêmio subutiliza o potencial arrecadador com a sua torcida. E, diga-se de passagem, nos últimos anos esse setor do tricolor cresceu muito, mas ainda insuficientemente para a demanda atual e muito menos se projetarmos a demanda futura.

O time do Grêmio, como poucos no país, possui uma identidade própria. Uma vinculação ao ideal “guerreiro” e “copeiro”. Não sem razão, fala-se em “alma castelhana”. Em síntese: existe a identificação da torcia com um time que não necessita ser o melhor ou até mesmo ganhar todos os títulos. Mas, em contrapartida, exige-se dele que demonstre vontade vencer, que lute e que não desista nunca de tentar a vitória antes do apito final. Esse ideário é pouco explorado.

Para aqueles que enxergam essa vinculação ao futebol platino em detrimento do id
eário de futebol brasileiro em geral algo negativo, sempre é bom lembrar que um certo clube da região da Catalunha (que historicamente resiste à “identidade nacional” em detrimento da "regional"), situa-se na Catalunha e explora exatamente esta imagem de ser “mais do que um clube” como o seu próprio slogan informa: o Barcelona. O Barcelona forma as suas equipes a partir do seu ideário de futebol, independentemente de quem é o treinador ou dirigente de ocasião. E fatura muito por isso...

E no Grêmio? Há quanto tempo não se forma uma equipe à imagem do que a sua torcida quer? Aliás, o Grêmio sabe o que a sua torcida imagina ser um time ideal, antes de mais nada? Há pesquisas sobre isto? Ou, ainda: quando foi a última ação de marketing que explorou exatamente essa imagem de não desistir nunca?

Enfim, não se pretende aqui esgotar o tema, mas apenas trazer alguns pontos para reflexão no intuito de demonstrar que, mesmo nas áreas aonde se considera bem encaminhada a questão, existe muito por fazer.

Categorias de base

As categorias de base de um clube deveriam ser tratadas como “questão de Estado”. Simplesmente deveria ser proibido o Presidente de ocasião alterar tudo a seu bel prazer. Trata-se de uma fonte de receita muito importante para ser avaliada no curto período de um mandato, insuficiente para qualquer avaliação ou mesmo para a implementação e execução de projetos com qualidade.

O que se quer dizer com isto? Simples: os cargos-chave nas categorias de base deveriam ser dotados de alguma estabilidade. Para que a derrota em um campeonato sub-qualquer-coisa determine a demissão de um bom profissional ou mesmo que este não se sinta pressionado a ganhar campeonatos em detrimento da formação, o Conselho de Administração deveria poder apenas indicar a contratação ou demissão do profissional, condicionando a decisão definitiva à chancela do Conselho Deliberativo. À exemplo do que ocorre com embaixadores ou ministros de tribunais superiores, a indicação do Presidente da República apenas tem efeito após a chancela do Senado Federal. Assim agindo, duas conseqüências imediatas ocorreriam: 1ª: escolha mais criteriosa dos profissionais; 2ª: comprometer todo o conselho Deliberativo com a política de formação de atletas. Deste modo, verdadeiramente passaríamos a tratar das categorias de base como uma “questão de Estado” que comprometesse toda a Instituição e não apenas os gestores da ocasião.

A rigor, todos os cargos profissionais deveriam receber o mesmo tratamento, desde que condicionados ao alcançamento de metas claras. Se, por um lado, limita a ação do Presidente, por outro determinaria que os ocupantes de tais cargos ajam institucionalmente e vinculem-se ao Clube e não a quem o indicou.

Estádio

Como antes dito, abrir mão de um estádio moderno e capaz de gerar receitas aos clubes modernos, é praticamente assinar o atestado de óbito de um clube. Por isso, o Grêmio pioneiramente acerta – e muito! – em fazer o negócio da Arena. Mas isso, por óbvio, se o estádio efetivamente gerar receitas ao clube e for um bom negócio.

Pois bem. Após esta longa introdução, chegamos à questão atual e de fundo. No próximo dia 29/08/2011, o Conselho Deliberativo do Grêmio irá se reunir para aumentar os custos da Arena. Se este aumento é necessário, ótimo. Mas e se não for? Diz-se tudo isto, porque estranhamente quer-se aprovar tudo de uma só vez no Conselho sem o tempo adequado de maturação e debate.

Alguns dados para a discussão. Conforme estabelecido no contrato, em sua cláusula 13.1., letra “f”, a OAS financiaria 45% do valor total da obra e arcaria com 55% do seu custo. Acaso esses percentuais façam parte do novo aditivo, por si só, já seria um péssimo negócio, justamente porque é o Grêmio quem ao fim e ao cabo arcará com o pagamento dos juros. Os valores estabelecidos em contrato, deveriam ser corrigidos pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), da Fundação Getúlio Vargas. Feitos os cálculos, chegamos à seguinte conclusão:

1) custo mínimo da arena: R$312 milhões, atualizado para R$367 milhões;
2) custo máximo da arena: R$378 milhões, atualizado para R$445 milhões.

Em síntese: se o Grêmio pretendesse, poderia obrigar a OAS a entregar exatamente o que foi contratado por R$ 445milhões, para um estádio com capacidade para 52 mil e 400 pessoas sentadas. O custo por lugar, portanto, varia de R$7.003,00 a R$ 8.492,00, cuja média é R$7.747,50. Fala-se, contudo, em 60 mil lugares para um custo de R$532 milhões (custo por lugar: R$8.867,00)

Antes de mais nada, a questão é: nós necessitamos de 60 mil lugares? No Estudo encomendado à empresa AAA de 2006, recomendou-se a capacidade de 50 mil lugares; no anteprojeto de 2009, 52mil lugares; no projeto do arquiteto De La Corte, 54.300 lugares, no projeto de fevereiro de 2011, 53.922; finalmente, em julho de 2011, conforme a imprensa, a capacidade ficaria em 60 mil lugares.

O que ocorreu nestes três anos para mudança tão drástica? Qual a expertise dos responsáveis do Grêmio para que o Conselho ignore a opinião dos profissionais contratados e reconhecidos mundialmente por sua capacidade? A questão central, portanto, será definir quais os estudos elaborados e que justificam ignorar a opinião da AAA (empresa contratada que estudou a ocupação média e a capacidade de crescimento do Clube para vinte anos!) e do arquiteto da FIFA De La Corte. Se estes estudos, pelo menos existem, que se dê publicidade a eles, justamente para que a opinião de outros especialistas possam ser consideradas.

Enfim: não pretendíamos esgotar os assuntos aqui tratados, mas meramente contextualizar a magnânima importância do que o Conselho Deliberativo deverá “conhecer, apreciar e deliberar” (conforme a ordem do dia) em 29/08/2011.

Acreditamos que uma matéria dessa importância mereceria maior maturação e debate, até mesmo porque um ou dois meses não poderiam fazer tanta diferença no resultado final. Cuida-se, em verdade, de comprometer o orçamento do clube em perto de 100 milhões de reais, sendo absolutamente insuficiente apenas o tempo de uma sessão do Conselho Deliberativo para "conhecer, apreciar e deliberar” uma matéria tão complexa.

Que o episódio dos direitos de transmissão sirva de lição ao Conselho Deliberativo que, naquela oportunidade, não discutiu os modelos envolvidos exaustivamente para uma tomada de decisão madura sobre o aspecto e cuja verdadeira face apenas agora é conhecida da torcida do Grêmio."

Fernando Zuchetto Maisonnave
Sócio Patrimonial desde 2002
Gremista desde 1981

SEMANA COLORADA

Torcedor Colorado, mas Colorado mesmo, está eufôrico com essa semana espetacular que o calendário nos reservou. Começou domingo num grande clássico contra o Flamengo. Passa pela grande final da RECOPA na quarta-feira e termina em clássico gNAL no domingo. Espetacular é pouco adjetivo. Quem gosta de bom futebol está se regozijando (e todo Colorado, no fundo, é sempre grande admirador do bom futebol). Domingo fomos atrapalhados pela escalação inicial de Dorival (os malditos três volantes de novo!) e pela trágica arbitragem. Quarta-feira será dia de conferir o regresso do campeão mundial Oscar ao time. E Dorival já confirmou o time que todo Colorado (como apreciador de bom futebol) quer ver em campo. Vamos com dois volantes, Oscar, D'Alessandro, Damião e Delatorre. Os hermanos que aguentem! E domingo. Ah! domingo é dia de clássico! Que semana fantástica!

DECISÃO NO GIGANTE

Teremos mais uma noite histórica na Padre Cacique. Mais uma noite dessas em que todos os caminhos levarão ao Gigante. As ruas estarão em fogo mais uma vez, vermelho por todos os lados. O Independiente não é tudo isso e nos venceu mais por nossas falhas e concessões do que por suas qualidades. A imprensa porteña já entregou que os inimigos virão retrancados (aliás, já era de se esperar). É claro que será difícil, muito difícil, furar o bloqueio. Mas quem acredita ou imagina que um time com Oscar, D'Alessandro, Damião e Delatorre deixará o placar em branco ?

DAMIÃO

Porto, Tottenham e Dinamo Kiev e seus euros a assediar nosso centroavante. Ele declara pretensão de jogar num clube do "primeiro mundo" do futebol (leia-se Itália, Inglaterra ou Espanha). Damião quer se manter na seleção brasileira; é sua prioridade. Luiggi declara que não o venderá nesta janela. Mas aquele golo antolôgico de bicicleta é algo que pode mudar todo esse panorama. Não há como segurar um jogador da categoria e eficácia de Damião por aqui. Os euros e dólares chegarão e teremos de nos conformar em vê-lo desfilar por gramados europeus, como já aconteceu com Pato, Nilmar e outros. O consolo é que já começa a surgir outro prata da casa: Delatorre.

JANELA

A terrível janela européia ainda está aberta. Causa calafrios pensar na venda de um Damião ou de um Oscar. Por enquanto, tudo indica que os dois ficarão no Beira-Rio, ao menos até o final da temporada. Damião e Oscar querem a vitrine Colorada, especialmente em véspera de Jogos Olímpicos.
Em tempo: a multa para tirar Oscar do Inter é de US$ 50 milhões, o equivalente a cerca de R$ 115,6 milhões. O clube deve pagar € 1,5 milhão, até dezembro, pelos 40% dos direitos sobre o jogador. Depois da atuação de gala de Oscar na final do mundial sub20, pode-se dizer que é uma pechincha

FALCÃO ESTAVA ERRADO

Ao declarar que não havia ninguém na base em condições de figurar no plantel principal, Falcão demonstrou desconhecimento (ou, no mínimo, que estava mal assessorado). Elton, Delatorre, Zé Mário são provas mais do que cabais de que Falcão errou. E ainda há muita gente lá na base pronta para atuar. Isso para não falar em guris como C. Winck e o volante Tarik que o amigo Josué não cansa de elogiar.

FAÇANHAS

Essa semana completou 35 anos a façanha do OCTACAMPEONATO GAUCHO. E após a derrota do Flamengo para o Atletico Goiano, mais um ano transcorre sem que clube algum consiga igualar a façanha do CAMPEONATO INVICTO, que remonta a 1979. São façanhas históricas, inéditas e inalcançaveis que colocam o INTERNACIONAL num patamar diverso dos demais clubes brasileiros.

RÁPIDAS

Domingo é dia de FICA C. ROTH!!!

4a feira, como aperitivo para a grande final da RECOPA, tem clássico Ze-Cruz, às 15 horas, no Passo D'Areia. Programaço!

Aliás, um baita dum programa para o vizinho hein! Eu tenho certeza de que o pobre do vizinho daria tudo, mas tudo mesmo, para jogar uma final de campeonato. Que saudade tu deves ter de jogar uma final de campeonato, não é vizinho ?

Time para enfrentar o Independiente: Muriel; Nei, Bolívar, Índio e Kleber; Guiñazu, Élton, Oscar e D’Alessandro; Dellatorre e Leandro Damião.

Não havendo lesões, independentemente do resultado de 4a feira, o time deve ser o mesmo para começar o clássico gNAL (apenas substituindo Guinazu, suspenso, por Tinga). Um pouco de coerência e manutenção de sistema de jogo não fará mal a ninguém.

E o Juan, pode indagar meu leitor. Com as boas atuações de Índio, Juan terá de aguardar seu momento. Mas, fatalmente, ganhará vaga na equipe e, com o tempo, deve se firmar.

E o Andrezinho, nosso talismã, continuará a ingressar durante as partidas para mudar o ritmo e forma de jogo do time, sempre para melhor. Andrezinho que é um dos melhores 12o jogadores que já vi no INTERNACIONAL.


"Ele chegou no ano passado com apenas 10% e nós tínhamos a opção de compra. Eu vou efetivar essa situação para que tenhamos 50% do jogador" (G. Luiggi, em entrevista a rádio Guaíba, manifestando-se sobre aquisição de direitos do meia Oscar)

Uruguaio J. Larrionda será o árbitro da final da RECOPA. Para quem não lembra, era Larrionda o árbitro da primeira conquista da Libertadores, em 16 de agosto de 2006.

E já que apelamos para a memória, nunca é demais lembrar que na RECOPA 2007, conquistamos o título dentro do Beira-Rio após perder a primeira partida para o Pachuca, no México, por 2x1 (mesmo placar de Avellaneda). Que a história se repita na quarta-feira.

Internacional assinou contrato com o lutador Minotauro, que defenderá as cores do Colorado no UFC Brasil.

"Em um primeiro momento, o patrocínio será exclusivo para o UFC do Rio. A partir daí, vamos definir e, quem sabe, tentar trazer uma etapa do UFC para dentro do Gigantinho até o fim do ano. Acho que estaríamos aproveitando a chance e trazendo um grande evento para Porto Alegre" (Jorge Avancini, diretor de marketing).

Vice Presidente de assuntos especializados Luciano Davi realizou reunião conjunta com líderes das organizadas que garantiram apoio conjunto ao time na decisão de 4a feira. UNIÃO e CONCENTRAÇÃO TOTAL na grande final da RECOPA.

Vizinho, só p'ra ti ficar imaginando durante a semana... Olha aí a BICICLETA DO DAMIÃO!



FOI UMA DAS COISAS MAIS LINDAS QUE JÁ ACONTECERAM NO BEIRA-RIO. Obrigado Damião!!! COMO É BOM SER COLORADO!!!

Vizinho, prepara o salão que domingo estamos chegando para a festa...

Saudações rubras, do CAMPEÃO DE TUDO, DONO DA ALDEIA (40*) e SEMPRE NA PRIMEIRA DIVISÃO.

Luiz Portinho - mais de 700 jogos no Gigante da Beira Rio




quarta-feira, agosto 03, 2011

ANO V - NUMERO 233

DE VOLTA AOS PAGOS

O INTERNACIONAL foi grande mais uma vez em terras estrangeiras. Voltou da Alemanha ainda maior. Não se vergou ao Barcelona e não se vergou ao Milan, duas das maiores e mais ricas agremiações do futebol mundial. Nossos guerreiros enfrentaram de igual para igual Iniesta´s, Ibrahimovic´s, Seedorf´s, Robinho´s, Van Bommel´s, Gattuso´s, Zambrotta´s, Ambrosini´s, Keita´s, Busquet´s, entre outros. O INTERNACIONAL mostrou, mais uma vez, que está pronto para enfrentar as grandes agremiações do futebol mundial a qualquer momento, em qualquer local e condição climática. Disputar eventos do nível de uma Copa Dubai ou de uma Copa Audi é prerrogativa dada apenas aos Gigantes do futebol mundial.

PERSPECTIVAS DO NACIONAL

O Corinthians perdeu para o Avai e animou a disputa pelo título. Até o 9o colocado, Cruzeiro, pode-se dizer que todos mantêm acesa a chama pela conquista. Afora o Vasco da Gama, parece-me que são todos clubes com bons elencos. O Fluminense, por exemplo, ainda nem estreou os argentinos Martinuccio e Lanzini. O Flamengo possui uma bela equipe e um treinador que conhece os atalhos do certame. O Palmeiras de Felipão sempre é um adversário de peso. O Botafogo contratou reforços interessantes, com destaque para a repatriação do meia Renato (Sevilla). E o São Paulo ganhará força com o retorno dos guris que estão servindo a sub20. É uma pena que o INTERNACIONAL tenha criado uma crise do nada, no epidósio Siegmann/Falcão. Do contrário, poderíamos estar colados nos líderes.

O LOSS


O Colorado não contratou o substituto de P. R. Falcão e já se fala na efetivação de O Loss. A questão é que o interino, por enquanto, não mostrou nada que pudesse servir de base à sua confirmação no cargo. Pelo contrário, tudo indica que colocará um time com três médios volantes no Rio de Janeiro contra o Fluminense. O Loss já deixou claro que seu esquema de jogo preferido é com 5 homens na meia cancha (3 deles volantes marcadores) e 1 atacante isolado. O Loss não é o nome adequado para treinar o INTERNACIONAL e não está pronto para fazê-lo.

D JUNIOR

Pior do que a possibilidade de efetivação de O Loss é a virtual contratação de D. Junior, treinador do Atlético Mineiro que se encontra na corda bamba. Não há sequer uma justificativa para contratar Dorival. Não há em seu currículo uma grande campanha no sistema de pontos corridos. Não é um treinador que se possa dizer de grande trabalho na revelação de jovens (pelo contrário, teve desentendimento com os meninos da vila, quando treinou o Santos). E, agora, realiza uma campanha digna de pena no clube mineiro (aonde, lembre-se, perdeu o certame regional para um Cruzeiro que andava muito mais preocupado com a Taça Libertadores - e, mais, era dirigido pelo Cuca - bah!). Enfim, D. Junior NÃO!!!

S SILVA

Não consigo entender a contratação deste jogador. Até porque ele declarou, em palavras claras, que é volante e se for escalado na lateral direita o será por improviso. Então para quê contratá-lo ? Possuímos Bolatti, Glaydson, Tinga, Guinazu e o jovem Elton para as duas primeiras posições da meia cancha (isso para não falar do W. Matias). A não ser que um desses jogadores estejam de malas prontas para sair do Beira Rio, não consigo entender a contratação de Sandro.

W MATIAS

Incompreensível e inadmissível a noticia que leio dando conta que W. Matias será o camisa "5" na partida contra o Fluminense. Entendo que há os desfalques de Bolatti e Guinazu, mas isso não justifica a preterição de sempre útil Glaydson por W. Matias. Esse fato só comprova aquela velha máxima do futebol: jogador ruim que não é vendido acaba sempre jogando.

JOVENS

Aproveitamos a Copa Audi para utilizar alguns jovens, especialmente na partida contra o Milan. L. Roggia, Delatorre, Joao Paulo, Zé Mario, entre outros, estiveram no time que iniciou a partida e tiveram ótima oportunidade de demonstrar que podem figurar em nosso plantel principal. Na volta, o zagueiro R. Moledo foi eleito destaque no empate 0x0 contra o Atlético Goiano. E ainda temos Juan e Oscar como destaques da Nacional Sub20. O horizonte é muito bom para essa gurizada; basta que a política de futebol do clube os ajude.

LARANJEIRAS

O confronto contra o time das Laranjeiras é complicadíssimo. Tanto pelos desfalques de nosso time como pela qualidade do adversário. Um time que possui Edinho, Sobis, Fred, entre outros, em seu plantel merece todo respeito. Os laterais Mariano e Carlinhos são opções de apoio perigosas. E ainda há o Abelão e todo seu potencial motivador na casa mata carioca. Para piorar o adversário vem embalado por um 4x0 sobre o Ceará. Todo cuidado será pouco no Rio de Janeiro.

RÁPIDAS

INTERNACIONAL x Independiente já tem datas e horários confirmados. Partidas acontecem às 21.50h de Brasília. A primeira na próxima semana, no dia 10, em Avellaneda, e o jogo de volta no dia 24, no Gigante da Beira Rio

É mais uma disputa de GIGANTES!!! Para desespero da vizinhança invejosa...

Falei acima das perspectivas do Nacional. Ainda é cedo para se fazer previsões mais acuradas. Apenas no final do turno teremos condições de dizer quem realmente é candidato sério ao título;

Lúcio, de férias após participação na Copa América, realizou trabalhos físicos no Beira Rio;

Marketing lança promoção de camisa comemorativa aos 5 anos da conquista da Libertadores 2006 (clique e confira).

História dos Eucaliptos é reconstruída pelo Museu Colorado (clique e confira).

Conhecido como um grande templo do futebol portoalegrense, o Eucaliptos ainda está vivo no coração de muitos colorados que viram jogar em seus gramados ídolos do futebol gaúcho como Tesourinha, Oreco, Larry, Carlitos, Bodinho, Vilalba e Javel;

idéia do Museu Colorado é recontar a história a partir de novos depoimentos de atores vivos que frequentaram nosso antigo templo. Bela iniciativa!

Copa FGF Sub17 terá clássicos gNAIS na decisão. As disputas ocorrerão nos dias 5 (azenha) e 8 no Gigante da Beira-Rio;

Campanha da gurizada vermelha é irrepreensível: 19 vitórias em 20 jogos, com apenas 1 derrota. 66 gols pró e apenas 7 sofridos;

E por falar em gurizada, Oscar é o destaque maior da seleção brasileira que disputa o mundial sub20 na Colômbia. O site da CBF destacou a atuação de nosso craque na última partida, quando Oscar participou ativamente dos 3 golos da vitória contra a Austria;

o vizinho só podia estar brincando quando chamou o INTERNACIONAL de solene desconhecido em sua última coluna. atribuo a afirmação à inveja reinante lá pelas bandas da azenha ou então ao desdém pelo fato de o Papai Colorado dos Pampas obter tanto sucesso no exterior na última década.

a propósito, quando foi a última vez que o vizinho cruzou o oceano atlântico hein ?

mas fica tranquilo vizinho. O tio Pelaipe está de volta! agora sim tu terás o que merece, meu caro vizinho...

Saudações rubras, do CAMPEÃO DE TUDO, DONO DA ALDEIA (40*) e SEMPRE NA PRIMEIRA DIVISÃO.

Luiz Portinho – mais de 700 jogos no Beira-Rio







MUDANÇAS


Tardou para a presidência do Grêmio realizar as necessárias mudanças no comando do futebol do Tricolor. Depois de um empate preocupante com o fraco América/MG em casa e de uma esperada derrota contra o Flamengo no RJ, Antônio Vicente Martins desligou-se da vice-presidência de futebol do Grêmio, levando consigo todos os colegas do Movimento Grêmio Independente que ocupavam cargos e funções na atual diretoria.

Vicente Martins foi uma pessoa correta e bem intencionada na condução do futebol, mas não teve a necessária competência para estabilizar o ambiente do vestiário e dar anteriormente a Renato, e agora a Júlio Camargo, condições para um trabalho de resultados no futebol, única situação que poderia proteger-lhe de virar vítima do conturbado momento político do clube, que tem mutilado o seu futebol.

Odone, Vicente e a Política

O ambiente político do Grêmio está efervescente, e os reflexos são sentidos diretamente no futebol. Vicente tem o direito de continuar no Conselho de Administração do Grêmio, cargo para o qual foi eleito, mas talvez não haja mais clima para sua permanência após os atritos com Eduardo Antonini, presidente da Grêmio Empreendimentos e principal parceiro de Odone no Projeto Arena.

Odone não ficará sozinho, mas certamente perderá boa parte do apoio político vindo do MGI. O grupo de Vicente foi um dos principais apoiadores na campanha das últimas eleições para o Conselho Deliberativo, encabeçada e ilustrada pela imagem do atual presidente. Se por um lado, Odone tem o caminho aberto pela frente para impor suas ideias sem resistência - o que pode se reforçar caso Vicente deixe também o C.A. -, por outro, deverá ter sérias dificuldades para manter-se junto com os seus nas próximas eleições do clube.

O certo é que tanto as questões políticas que envolvem o clube quanto o excessivo foco na construção da Arena têm desprestigiado o futebol do Grêmio. Odone parece fora da realidade nas entrevistas, ignorando o mau futebol que vem sendo apresentado pelo Grêmio e reforçando o discurso ultrapassado da "imortalidade", da Batalha dos Aflitos e enaltecendo a Arena, deixando em 2º plano o futebol do clube e condenando-o ao fracasso.

Pelaipe

Para o lugar de Vicente Martins, Paulo Pelaipe, que já trabalhou na mesma função de 2005 a 2008, foi contratado para ser diretor executivo de futebol do Grêmio. Alexandre Faria, que até então ocupava esta posição e havia sido contratado há menos de 1 mês por Vicente, foi dispensado, demonstrando uma falta de critérios e de planejamento de longo prazo assustadores.

Ao contrário de Faria, Pelaipe, figura folclórica do futebol, terá poderes dentro do vestiário do clube. Seu conhecido estilo de cobranças e discursos fortes pode ser a solução que o Grêmio precisa para sacudir as bases no atual momento. Espera-se que a presença de Pelaipe no vestiário traga o componente motivacional que estava faltando aos jogadores. A torcida acompanha com ansiedade para observar o comportamento do time no jogo desta quarta-feira contra o Atlético/MG, quando o time deverá estar desfalcado de diversos dos seus principais jogadores (Douglas, Gabriel, Saimon, André Lima), mas terá o reforço de Miralles no ataque.

É questionável, no entanto, a figura do novo diretor numa visão de médio e longo prazos. Pelaipe foi contratado mais por causa de sua personalidade forte do que por ser um profissional alinhado ao que planejamento estratégico do clube prega. Os dirigentes, mais uma vez, parecem pensar apenas no presente e não preocuparem-se com o futuro, o que poderá custar também o ano de 2012 ao Grêmio.

Júlio Camargo

Ainda não se sabe ao certo qual será o destino do treinador Júlio Camargo dentro deste contexto. O certo é que, com 1 mês de trabalho, o técnico ainda não conseguiu dar um padrão tático aceitável ao time. Pior ainda: além de estar visivelmente desorganizado em campo, agora o time está acuado e sem ambição de vencer as partidas, mesmo dentro do Monumental.

Ao lado de Pelaipe, Júlio Camargo certamente encontrará apoio para fazer um Grêmio que prese por suas raízes e priorize times defensivamente consistentes. O desafio de Camargo, no entanto, é fazer com que o Tricolor tenha ambições e não abdique de buscar as vitórias dentro e fora de casa. A torcida não se contentará em ter um time obstinado apenas a não ser rebaixado para a segunda divisão.

Victor

O erro grotesco de Victor na frente de Ronaldinho, no jogo contra o Flamengo, irou boa parte da torcida do Grêmio. É certo que o momento que Victor vive em 2011 nem de longe lembra o grande goleiro que se formou no Olímpico e que foi parar na Seleção Brasileira. O sentimento reforçou-se em função das grandes atuações que Marcelo Grohe teve no gol do Tricolor recentemente.

Não concordo, no entanto, com aqueles que querem a cabeça de Victor. Ele merece crédito por todas as inacreditáveis defesas que fez e derrotas que já evitou. Espera-se, no entanto, que a avaliação da comissão técnica do Grêmio passe pelo momento e pelas atuações do goleiro nos próximos jogos, não mantendo-o no time apenas por seu histórico. Urge que o Grêmio priorize a escalação dos jogadores que estiverem em boas condições técnicas para uma plena recuperação no Campeonato Brasileiro.

Fernando Zuchetto Maisonnave
Sócio Patrimonial desde 2002
Gremista desde 1981